A Trans Apucarana, tradicional empresa de Apucarana que atua no ramo de transporte rodoviário de cargas, completou neste dia 20 de janeiro de 2026 seus 30 anos de atividades no município. A empresa é comandada pelo empresário Luís Bertoli, 66 anos, um motorista de caminhão que na década de 90 passava a maior parte do tempo e da sua vida rodando pelas estradas deste País.
Luís Bertoli, que antes de ser caminhoneiro morava e trabalhava na roça com a família, começou a nova profissão trabalhando com um caminhãozinho Mercedes-Benz, ano 1978, fazendo viagens de Apucarana para São Paulo transportando bonés produzidos no município, assim como produtos alimentícios da Indústria Caramuru Alimentos.
Naquela época, as fábricas de boné aumentavam cada vez mais em Apucarana, aquecidas pela febre do boné. Da mesma forma, o trabalho de transporte também foi crescendo e assim Luís Bertoli decidiu montar sua própria empresa de transporte rodoviário para atender à demanda de pedidos. Isso aconteceu no dia 20 de janeiro de 1996.
Luís Bertoli iniciou a empresa com seu Mercedes-Benz e, na sequência, foi contratando mais caminhões e motoristas para dar conta da demanda de serviços.
Hoje, a Trans Apucarana é uma das mais conceituadas empresas de transporte rodoviário do Paraná e do Sul e Sudeste do Brasil. São cerca de 150 caminhões fazendo as linhas do Paraná, São Paulo e Santa Catarina e em torno de 500 colaboradores distribuídos em Apucarana e em 13 filiais, sendo 11 no Paraná, uma em Santa Catarina e a unidade de São Paulo, que hoje é oficializada como matriz.
Bertoli assinala que a concorrência é grande, porém a Trans Apucarana se difere de outras no mercado de transporte rodoviário pela qualidade, segurança, confiança, responsabilidade e agilidade na entrega de mercadorias, o que ocorre num prazo de 24 horas, seja de onde for o frete requisitado.
Segundo Luís Bertoli, um dos segredos do sucesso da sua empresa está exatamente nisso. “Nossa dignidade no trabalho de transporte é a confiança. Não adianta pegar uma mercadoria e não entregar direito, não atender bem o cliente. Senão, vira aquela promessa de que entregou ou não entregou e não é assim que eu trabalho. Se eu pegar uma mercadoria nesta segunda-feira aqui em Apucarana, na terça-feira já estou entregando em São Paulo”, garante ele, que hoje também conta no gerenciamento do negócio com a ajuda dos seus filhos João Paulo e Luiz Henrique.
DIFICULDADES
Mas, para chegar aonde chegou, Luís Bertoli lembra que enfrentou muitas dificuldades desde o começo. Ele cita inclusive um problema sério que ocorreu logo no início das atividades da Trans Apucarana. Um caminhão seu foi roubado com uma carga avaliada em R$ 80 mil. Como não tinha seguro da carga, ficou bastante apurado financeiramente e teve que vender seu carro e um terreno para cobrir o valor da mercadoria e manter o cliente com o sustento da sua palavra.
Bertoli assinala também que não é fácil se manter no transporte rodoviário, porque é um ramo de alto custo de manutenção. Ele cita dificuldades para contratação de funcionários, os altos preços dos combustíveis, dos impostos, do pedágio, seguro das cargas e dos veículos e despesas com os caminhões, entre outros encargos.
FALTA APOIO
Para o empresário apucaranense, um dos fatores que mais pesam no custo do transporte rodoviário é o alto preço do óleo diesel. Ele defende a necessidade de o governo federal subsidiar o óleo diesel, já que é um combustível que faz movimentar a economia do País em todos os setores. No seu entender, os impostos também deveriam ser diferenciados para o transporte de cargas em relação a outros setores. “O governo deveria olhar mais para quem produz, mas, infelizmente, não é assim que ele pensa”, lamenta.
POR EDISON COSTA