Na década de 1980, o professor Dirceu Rossi era secretário de Educação de Apucarana. Naquela época, a Cultura era vinculada a esta secretaria. Contudo, a fusão não impedia iniciativas culturais interessantes. Por exemplo, o Projeto Verão levava artistas locais a se apresentarem na Praça Rui Barbosa, nos fins de semana, ao decorrer desta estação. O Baile do Chapéu de Palha. Que chegou a levar cinco mil pessoas ao Ginásio de Esportes Lagoão. Quadra e arquibancadas lotadas. Evento junino que acontecia no mês de junho. Havia o Esporte para Todos. Embora fosse esporte, tinha apoio da Educação e Cultura. Sob a coordenação do saudoso desportista Hairton Santos povoava os bairros e os distritos com atividades recreativas e esportivas.
Digo isso porque hoje a Cultura de Apucarana não existe no cenário municipal. Sinto falta de um projeto cultural no município, que vá além de eventos tradicionais. Que instigue as manifestações culturais em todos os cantos da cidade e distritos. Nossa periferia está carente de cultura. É o que percebo desde que para cá retornei em 2022. Sem dizer do nosso patrimônio cultural e histórico que se perde. Um exemplo é a memória cultural. Dos nossos pioneiros.
Cultura é envolvimento e movimento. Debater com a comunidade para construir uma “usina de ideias”. Campanhas educativas poderiam ser realizadas com uma mescla cultural. Na gestão do prefeito Zé Scarpelini, havia um concurso de redação nas escolas municipais e estaduais para discutir temas como o meio ambiente. Alunos premiados ganhavam viagens a lugares de preservação e belezas naturais. Pantanal e Foz do Iguaçu estavam no roteiro. Eu, na época, estudante do antigo segundo grau, me classifiquei e fui a uma excursão a Foz do Iguaçu, chefiada, inclusive, pelo professor Dirceu Rossi.
Portanto, Apucarana precisa de retomar seu caminho cultural. Ideias não faltam. Que tal promover uma feira literária aqui? Maringá criou a Festa Literária, a FLIM, que já se tornou internacional. Não é um projeto caro, mas depende de organização e trabalho para realizá-lo. E, sobretudo, vontade política. O mesmo se dá com nosso museu municipal. Faltam projetos para buscar recursos, no governo federal, e construí-lo. A Cultura apucaranense não pode continuar nesse marasmo, sem projetos, sem diálogo com a comunidade. Não se pode viver apenas de eventos tradicionais e a ressaltar êxitos do passado. É hora de botar a “usina de ideias” para funcionar...
Donizete Oliveira é jornalista há 43 anos, escritor, historiador, mestre em Comunicação e doutorando em Letras.