Por decisão do juiz Osvaldo Soares Neto, da Vara Criminal da Comarca de Apucarana, o diretor do Centro Municipal de Saúde Animal de Apucarana (Cenmsa), o biólogo Fernando Felipe, também conhecido por Repórter Selvagem, obteve liberdade provisória no início da noite desta sexta-feira, após passar por uma audiência de custódia.
Na decisão, o juiz estipulou o pagamento de fiança no valor de R$ 5 mil, com concordância do Ministério Público para liberação da soltura. A liberdade, no entanto, só foi concedida também mediante medida cautelar que afasta o biólogo do cargo de coordenador do Cemsa. O Ministério Público informou ainda que a Justiça impôs a proibição de que Felippe compareça ao Cemsa ou em qualquer repartição pública municipal.
A defesa do Repórter Selvagem está sob responsabilidade da procuradoria Jurídica da Prefeitura de Apucarana.
O diretor do Cemsa foi detido na quinta-feira através de uma força-tarefa composta pelo Ministério Público do Estado e pela 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, em ação motivada por denúncias de supostos maus tratos a animais no antes conhecido por canil municipal.
Durante a diligência, as autoridades policiais e do Ministério Público identificaram diversas irregularidades no Cemsa. Segundo o delegado Ricardo Monteiro de Toledo, nove cães foram recolhidos e encaminhados a uma clínica veterinária. A avaliação profissional confirmou que animais com doenças infectocontagiosas dividiam o mesmo ambiente com animais saudáveis, além de estarem sem o tratamento de saúde adequado. A apuração também revelou que o canil operava há mais de 30 dias sem um médico veterinário responsável.
Diante do cenário, o diretor do centro foi conduzido à delegacia de polícia e autuado em flagrante. O delegado esclareceu que a responsabilização ocorreu por omissão, sem conduta dolosa intencional. “A partir do momento que ele assume essa função de gestor do estabelecimento, ele tem a obrigação legal de dar o atendimento. Ele foi autuado na condição de garantidor”, explicou o delegado. Em depoimento, o diretor afirmou que já havia comunicado a falta de estrutura e profissionais aos seus superiores hierárquicos, mas os problemas não foram resolvidos.
Em nota oficial, a Prefeitura de Apucarana informou que acompanha o caso de perto e está à disposição das autoridades policiais e judiciárias, colaborando de forma integral para o esclarecimento dos fatos. O Executivo reforçou o compromisso com a causa animal e com a transparência, destacando que, caso as irregularidades fiquem comprovadas, adotará todas as medidas administrativas e legais cabíveis com responsabilidade.