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Surto de “superfungo” Candida auris atinge Hospital do Servidor em SP; um paciente morreu
Instituição registra 14 casos de pacientes colonizados e uma infecção; morte não foi causada pelo fungo, diz hospital
Por Matheus Daczuk
Publicado em 01/04/2025 15:05
Saúde

O Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), localizado na zona sul de São Paulo, enfrenta um surto do fungo Candida auris, conhecido como “superfungo” por sua resistência a medicamentos e alta capacidade de disseminação. Desde o início de janeiro deste ano, foram registrados 14 casos de pacientes colonizados — quando o fungo está presente, mas não causa infecção — e um caso de infecção, segundo o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE), que administra o hospital.

Um paciente de 73 anos, infectado pelo Candida auris, morreu durante a internação. O hospital, no entanto, afirma que o óbito foi decorrente de complicações cirúrgicas, e não da infecção pelo fungo. “Durante a investigação, verificamos que o fungo não causou o óbito, e sim as complicações clínicas e cirúrgicas do paciente”, informou o HSPE em nota oficial.

Medidas de contenção

A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do HSPE notificou imediatamente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e adotou medidas para conter o surto, como o isolamento dos pacientes em quartos individuais, higienização intensificada e treinamentos para as equipes. O hospital também realiza coletas diárias para monitoramento e, conforme orientação dos órgãos de vigilância, fará análises mensais por seis meses para avaliar o cenário. Reuniões semanais com a Anvisa e secretarias de saúde municipal e estadual acompanham as ações.

O tratamento contra o Candida auris no hospital utiliza equinocandina, um antifúngico considerado eficaz contra o patógeno. Dos 14 pacientes colonizados, nenhum evoluiu para infecção durante a internação, segundo o IAMSPE.

Ameaça global

O Candida auris é classificado pela Anvisa como uma “séria ameaça à saúde pública” devido à sua resistência a antifúngicos comuns, como fluconazol e anfotericina B — estudos indicam que até 90% dos isolados do fungo são resistentes a esses medicamentos. Ele pode formar biofilmes, sobreviver por semanas em superfícies como roupas de cama e equipamentos médicos, e causar candidemia, uma infecção na corrente sanguínea potencialmente fatal, com sintomas como febre e mal-estar.

“Pacientes gravemente doentes, como os internados em UTIs, que usam antibióticos ou passaram por quimioterapia e transplantes, são mais suscetíveis”, explica o infectologista Diego Rodrigues Falci, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). A transmissão ocorre por contato direto com o fungo, que persiste em ambientes hospitalares.

No Brasil, os primeiros casos foram registrados em 2020, em Salvador (BA), durante a pandemia de Covid-19, quando a superlotação de hospitais e a redução de medidas de controle de infecção facilitaram sua disseminação. Desde então, surtos em UTIs têm sido uma preocupação recorrente.

Reforço na segurança

O HSPE destaca que a situação está sob controle e que segue “aprimorando o atendimento humanizado e reforçando todas as barreiras para garantir a segurança dos pacientes”. A instituição mantém estoques de antifúngicos e intensificou protocolos de higiene para evitar novos casos.

O Candida auris representa um desafio global, especialmente em pacientes imunodeprimidos ou com comorbidades, devido à dificuldade de tratamento e à sua propensão a causar surtos em ambientes hospitalares.

Fonte: Rádio Apucarana

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