Privatização da Copel gera lucros bilionários a
acionistas e conta de luz cara aos paranaenses
Por Arilson Chiorato (foto), deputado estadual e presidente do PT-PR
O aumento de 20,51% na conta de luz expõe uma contradição cada vez mais difícil de justificar. De um lado, uma empresa que acumula lucros bilionários, distribui dividendos recordes e apresenta resultados financeiros crescentes. Do outro, consumidores que pagam mais caro pelo serviço e convivem com interrupções no fornecimento de energia e apagões. Esse é o resultado da privatização orquestrada pelo governo Ratinho Jr., um verdadeiro amigo do mercado financeiro, e, pelo visto, inimigo voraz do povo paranaense.
Desde ontem, quarta-feira, famílias, pequenos comerciantes, produtores rurais, hospitais, indústrias e demais consumidores já estão pagando mais caro para ter luz em casa ou no seu negócio. O impacto no bolso do consumidor residencial é de 20,51%. Já para pequenos comércios e pequenas propriedades rurais, 19,85%; grandes empresas, hospitais, shoppings, indústrias, 21,87%. Ou seja, todo mundo vai pagar mais caro na conta de luz.
A verdade é que todo mundo foi obrigado a contribuir para aumentar os lucros dos acionistas da Copel. Não tem mounjaro que aplaque a fome do capitalismo. É importante lembrar que esse valor não é o reajuste anual. É a tal da revisão tarifária que ocorre a cada cinco anos. Em 2021, quando a Copel não era privatizada, o valor foi de 9,8%.
O valor de mais de 20% é simplesmente absurdo. Entre os argumentos está o aporte de investimentos. Oras! Que investimentos são esses? Se toda hora tem reclamação sobre quedas e oscilações no fornecimento de energia, que causa prejuízos no campo e na cidade.
Um exemplo recente vem do Oeste do Paraná, de Tupãssi. Na ocasião, a falta de energia elétrica provocou a morte de cerca de 1,1 milhão de peixes, porque os aeradores, essenciais para dissolver o oxigênio na água, pararam. Situação semelhante atinge as granjas em todas as partes do Estado, assim como quem trabalha com laticínios. Além da perda da produção, produtores relatam prejuízos com queima de equipamentos e sistemas elétricos.
Se os investimentos foram feitos, por que tantos casos continuam acontecendo? Por que o prejuízo continua com o consumidor? Vale ressaltar que o consumidor paranaense não tem a opção de trocar de operadora de serviço. Ou é a Copel, ou fica sem luz.
Por outro lado, o lucro continua em alta. Somente no primeiro trimestre deste ano, a Copel registrou lucro líquido de R$ 694 milhões, crescimento de 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em dezembro de 2025, o Conselho de Administração da Copel aprovou a distribuição de R$ 1,35 bilhão em dividendos aos acionistas. Em outras palavras, enquanto a população se prepara para pagar mais pela energia, os acionistas seguem recebendo remunerações cada vez maiores.
Em todas as audiências públicas realizadas pela Oposição sempre deixamos claro que a privatização de um serviço essencial, como o fornecimento de energia elétrica, não deveria ficar à mercê do mercado privado. A decisão de privatizar a Copel foi uma escolha política do governador Ratinho Jr., o problema é que energia elétrica não é um produto qualquer, impacta a vida de todos.
Se a privatização prometia eficiência e benefícios para os consumidores, por que estamos assistindo à distribuição de lucros bilionários e quanto convivemos com problemas recorrentes no fornecimento de energia? Essa é a pergunta que o governador Ratinho Jr. precisa responder, mas é bem provável que jogue a responsabilidade no Lula. Já posso antever essa estratégia suja, mas vejo também que o povo não é bobo, que a internet, inclusive, registrou direitinho quem sorriu batendo o martelo no leilão de entrega da Copel. Hoje, esse martelo bate no seu, no meu, e no nosso bolso.