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Vício em apostas on-line cresce no Brasil e leva milhões ao endividamento
Especialistas alertam que idosos e adolescentes estão entre os mais vulneráveis; casos de perdas financeiras, isolamento social e transtornos psicológicos se multiplicam.
Por Matheus Daczuk
Publicado em 26/03/2025 15:00
Saúde

O vício em jogos de azar, especialmente apostas on-line, já afeta cerca de 2 milhões de brasileiros, segundo estudo da Universidade de São Paulo (USP). O Banco Central estima que o país movimenta R$ 20,8 bilhões por mês nesse setor. Especialistas alertam que idosos e adolescentes são os grupos mais vulneráveis ao problema, devido a fatores sociais e neurobiológicos.

O Correio traz relatos de brasilienses que enfrentaram graves dificuldades financeiras e emocionais por conta do vício.

Endividamento e frustração

Osmar* (nome fictício), de 49 anos, morador do Recanto das Emas e aposentado por invalidez, começou a apostar on-line durante a pandemia, buscando uma forma de complementar a renda. "No início, conseguia controlar, mas depois comecei a fazer empréstimos para seguir jogando", conta. O ciclo de perdas e tentativas de recuperar o dinheiro fez com que ele acumulasse uma dívida de R$ 7 mil no cartão de crédito.

Em uma tentativa desesperada, Osmar investiu R$ 120 em um jogo e ganhou R$ 169 mil. No entanto, nunca conseguiu sacar o prêmio. "Fui enganado. A plataforma pedia mais depósitos para liberar o saque", relata. Após registrar um boletim de ocorrência e buscar a Defensoria Pública, ainda não conseguiu reaver o valor.

Gustavo* (nome fictício), 25, morador do Plano Piloto, perdeu o emprego e se isolou da família devido ao vício. "Ele negligenciou o trabalho, terminou um relacionamento e contraiu dívidas com agiotas", conta o psiquiatra André Botelho, do Hospital Sírio-Libanês, que acompanhou seu tratamento.

O impacto psicológico do vício

A coordenadora do curso de Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Ana Cristina Oliveira, explica que a compulsão por apostas se desenvolve a partir da busca incessante por recompensa. "Mesmo após sucessivas perdas, o apostador acredita que a grande vitória está próxima, tornando-se cada vez mais dependente da excitação gerada pelo jogo", afirma.

O psiquiatra André Botelho destaca que o transtorno do jogo patológico exige tratamento multidisciplinar. "A abordagem ideal combina medicação, psicoterapia e mudanças no estilo de vida", diz.

O risco entre os mais vulneráveis

Especialistas alertam que idosos e adolescentes são os mais afetados pelo vício em jogos de azar. Para os mais velhos, o isolamento social e a solidão podem ser gatilhos para o envolvimento com apostas. Já os jovens, movidos pela impulsividade e pela busca por novas experiências, encontram facilidade no acesso às plataformas digitais.

"O cérebro do adolescente ainda está em formação, o que o torna mais propenso a decisões impulsivas e ao desejo por recompensas imediatas", explica Botelho. O fácil acesso aos jogos on-line agrava o problema.

Dívidas e crimes

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) tem lidado com um número crescente de casos envolvendo dívidas de jogo. "Vemos pessoas que deixam de pagar contas essenciais, como pensão alimentícia, para apostar", alerta o delegado Erick Sallum. Ele destaca que os algoritmos das plataformas são programados para gerar mais prejuízo do que lucro aos jogadores.

O impacto na economia e as propostas de regulamentação

O crescimento do setor também preocupa economistas. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), o redirecionamento do dinheiro das famílias para apostas fez o varejo perder R$ 103 bilhões em faturamento anual. A entidade contesta a "Lei das Bets", sancionada em 2023, alegando que a regulamentação impulsionou o endividamento e facilitou o acesso de menores de idade às apostas.

No Distrito Federal, tramita na Câmara Legislativa um projeto de lei que propõe criar o Programa de Combate ao Vício em Apostas e Jogos, focado em prevenção, conscientização e apoio a dependentes. A proposta inclui um cadastro para restringir propagandas de apostas a pessoas vulneráveis e exige que empresas do setor informem claramente sobre bloqueios de contas e formas de tratamento para ludopatia.

Como identificar e tratar o problema?

A psicóloga Juliana Gerbrim destaca que mudanças no comportamento, isolamento social e dificuldade em controlar o impulso de jogar são sinais de alerta. "O tratamento envolve psicoterapia, apoio familiar e a busca por atividades prazerosas alternativas", afirma.

 

Já o psiquiatra André Botelho reforça a necessidade de ações preventivas. "Educação e conscientização são essenciais para reduzir o impacto desse problema, especialmente entre adolescentes e idosos", finaliza.

Fonte: Rádio Apucarana

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