O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado Alexandre Curi (PSD), anunciou na sessão plenária desta segunda-feira (2) que a Casa Legislativa encaminhará um ofício cobrando explicações sobre a instalação de pedágios eletrônicos no Estado. “Todos os parlamentares podem assinar e, amanhã cedo (hoje), a presidência encaminhará para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o TCU (Tribunal de Contas da União) e o Ministério dos Transportes”, frisou o líder do Legislativo.
Também conhecidos como pórticos eletrônicos ou pedágio free flow, os sistemas possibilitam que a cobrança das tarifas seja realizada de forma automática, sem a necessidade de praças e cancelas. Equipamentos como câmeras e sensores bastam para detectar a passagem do veículo e realizar a cobrança, por meio da identificação das placas ou de tags. Os pórticos estão sendo instalados neste momento nas regiões Norte e Noroeste do Paraná, contempladas pelos lotes 4 e 5.
A instalação da tecnologia foi o principal tema discutido na Tribuna durante a primeira sessão plenária de 2026. Ao todo, dez parlamentares que integram tanto a base quanto a oposição elencaram problemas na implementação do sistema no Estado. Entre as críticas estão a discrepância entre a localização dos pórticos eletrônicos e as praças físicas e os possíveis impactos para moradores lindeiros, que podem pagar tarifa cheia em deslocamentos curtos. Informações repassadas aos usuários indicam que a tarifa poderá ser integral, e não proporcional ao trecho percorrido.
Também foram discutidos possíveis impactos aos trabalhadores das praças de pedágio, diante da possibilidade de demissão dos profissionais. Além disso, foi apontado que a instalação do sistema free flow, realizada neste momento, não estava prevista no contrato firmado entre o governo federal e as concessionárias.
Os deputados ilustraram como as alterações afetam, na prática, a vida de cidadãos paranaenses que antes não precisavam pagar pedágio e que passariam a ser cobrados mesmo em pequenos trajetos. “No caso de Rolândia, a praça de pedágio foi abandonada e a puxaram de Arapongas para Rolândia para captar todo o tráfego local do Parque Industrial de Rolândia. É para aumentar a receita e reduzir a despesa”, exemplificou o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD), que também tratou do impacto sobre os funcionários do serviço. “São milhares de empregos que serão cortados.”
“Eles vão recuar ou antecipar os pórticos eletrônicos para meter a mão no [bolso do] coitado, por exemplo, do cidadão de Marialva, que, por um trecho de um quilômetro, conseguia ir à sua propriedade sem pagar pedágio?”, complementou o deputado Delegado Jacovós (PL).
“Passei por Mauá da Serra e colocaram [o pedágio eletrônico] na saída da cidade. Quem sai de lá e vai para Faxinal terá de pagar pedágio. Temos que nos unir. Somos a favor do pedágio, mas não podem ocorrer essas aberrações”, afirmou o deputado Pedro Paulo Bazana (PSD), destacando a situação dos municípios do Norte paranaense.
O deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição, denunciou que os contratos firmados com as concessionárias começaram a ser celebrados ainda na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foram debatidos pela Alep e receberam a adesão de deputados que hoje se colocam contrários à implementação do pedágio eletrônico. “Tenho a mesma indignação contra a história do pórtico, contra a mudança de local e outras lambanças que vão fazer contra a população paranaense”, pontuou. “Temos que unir forças.” “Se (os deputados) se arrependeram, confessem que foram enganados e acreditaram numa grande mentira”, criticou Requião Filho (PDT).